Tragédias e denúncias envolvendo cirurgias plásticas no sul da Bahia
Adriele da Silva Pinto, 31 anos, buscou no Hospital Vida, em Ilhéus, a realização de quatro procedimentos estéticos: mastopexia com prótese de silicone, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. Iniciada na manhã do dia 25 de agosto, a cirurgia terminou em tragédia: por volta da meia-noite, a família foi informada de sua morte durante o procedimento.
Este episódio não é isolado. Quatro anos antes, Petrina Fonseca, 43, viajou de Itabela para Porto Seguro para fazer uma lipoaspiração. Após complicações, incluindo a ruptura do ponto da sutura e uma ferida grave em sua região abdominal, Petrina relata ter vivido momentos angustiantes, sentindo-se desamparada diante da resposta do cirurgião.
Outro caso grave envolve Mirela (nome fictício), que morreu durante transporte de ambulância entre Itajú do Colônia e Itabuna, no sul da Bahia, após complicações em cirurgia plástica. O laudo aponta insuficiência respiratória aguda e outras causas relacionadas ao procedimento.
Histórico do cirurgião e investigações em curso
Os três casos tiveram como cirurgião plástico o médico Rossini Tebaldi Ruback, cuja clínica está situada em bairro nobre de Itabuna. Ele atua também em cidades como Vitória da Conquista, Porto Seguro, Eunápolis e Salvador. Ruback, genro do ex-deputado federal Ronaldo Carletto (Avante), é registrado como especialista na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Após a morte de Adriele, surgiram relatos de pelo menos 30 mulheres que apontam erros médicos, negligência e falta de cuidado no pós-operatório em procedimentos realizados pelo cirurgião. Entre as queixas estão suturas sem anestesia, cirurgias em locais sem estrutura adequada e complicações como dor intensa, necrose e deformações.
Leia também: Tragédia em Mossoró: Influenciadora do RN Morre Durante Preparação para Cirurgia Plástica
Fonte: edemossoro.com.br
Leia também: Imposto de Renda 2026: Entenda Como Deduzir Despesas com Educação e Saúde
Fonte: novaimperatriz.com.br
Enquanto a Polícia Civil investiga o caso de Adriele, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) acompanha o inquérito e avalia outras providências. A Secretaria de Saúde da Bahia interditou cautelarmente o Hospital Vida, que não possuía alvará sanitário para o centro cirúrgico.
Processos judiciais e resposta da defesa
Na esfera judicial, há atualmente 29 ações contra Ruback no Tribunal de Justiça da Bahia por danos morais e estéticos, número que quase triplicou em 2023. O advogado Gustavo Azevêdo representa 12 dessas mulheres, destacando que a maioria dos processos ainda não avançou para audiências, exceto o caso de Petrina, que resultou em sentença desfavorável ao cirurgião.
A defesa de Ruback ressalta que os episódios de óbito são distintos e que ele realizou mais de 3.000 procedimentos cirúrgicos com um número significativo de pacientes satisfeitas. Também destaca decisões judiciais favoráveis em vários processos e afirma que se diferencia entre denúncias e responsabilidades confirmadas.
Detalhes sobre a morte de Adriele e investigações complementares
Adriele, que morava nos Estados Unidos e estava em Ituberá para passar uma temporada, investiu cerca de R$ 50 mil nos procedimentos. Segundo seu advogado, a paciente chegou ao hospital pela manhã, foi internada e realizou exames pré-operatórios normais. Durante o dia, a família foi pouco informada, e a notícia da morte chegou somente à meia-noite.
Leia também: Abel Ferreira e as contradições do futebol brasileiro
Fonte: diretodorecife.com.br
O hospital estava fechado no momento, e familiares precisaram arrombar uma porta para acessar o local. O corpo foi encontrado no centro cirúrgico sem a presença da equipe médica. A defesa do médico atribui a ausência à necessidade de segurança após a invasão e aponta a hipertermia maligna como causa da morte, uma reação rara a anestésicos.
Contexto do atendimento e questões éticas
Em relação à morte de Mirela, o inquérito policial indica que sintomas como dor de cabeça e falta de ar foram inicialmente considerados normais pelo cirurgião, que receitou remédios e liberou a paciente. A persistência dos sintomas culminou em desmaio e morte semanas depois.
O Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) informou não haver processos ético-profissionais em andamento contra Ruback, apesar de sete representações terem sido indeferidas ou arquivadas em 2023. A SBCP só pode investigar e expulsar um médico se houver condenação pelo conselho regional e pela Justiça, e discute mudanças no estatuto para analisar casos individualmente.
Para Petrina, o problema do cirurgião não está nos casos bem-sucedidos, mas na ausência de acompanhamento adequado quando surgem complicações. Ela relata que, diante de dificuldades pós-operatórias, sentiu-se abandonada pela equipe médica.

