UEFS lidera iniciativa para fortalecer feiras universitárias e populares
A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sediou o segundo e último dia do 1º Encontro Baiano de Feiras Universitárias e Populares, reunindo diversos atores da economia solidária na Bahia. Realizado em 3 de agosto, o evento articulou produtores, empreendedores, estudantes e representantes de diferentes regiões, com foco na valorização da economia popular, da agroecologia e da soberania alimentar, além da troca de saberes entre os participantes.
Integração entre experiências dentro e fora das universidades
A programação do encontro contemplou a comercialização de produtos artesanais e alimentícios, manifestações culturais e espaços de diálogo que aproximaram iniciativas acadêmicas e comunitárias. A origem da proposta remonta a uma pesquisa de mestrado realizada na UEFS, que destacava a necessidade de criar uma rede permanente entre as feiras universitárias e populares da Bahia.
Sarah de Souza, mestranda em Planejamento Territorial e integrante da Incubadora de Iniciativas de Economia Popular Solidária, explicou que a ideia é promover um intercâmbio de saberes e sabores entre as feiras, fortalecendo a articulação entre elas. A escolha de Feira de Santana para sediar o encontro tem relação direta com a identidade local marcada pela tradição das feiras e a existência da feira universitária da UEFS desde 2017.
Desafios para visibilidade e políticas públicas
O evento também serviu para destacar as dificuldades que as feiras enfrentam, principalmente no que diz respeito à baixa visibilidade dentro das universidades e à falta de políticas públicas que as apoiem. Sarah ressaltou que muitas dessas iniciativas são mantidas pela mobilização dos próprios feirantes e ainda precisam ganhar reconhecimento institucional para ampliar seu alcance e impacto.
“As feiras universitárias têm pouca visibilidade dentro das universidades, apesar de existirem e representarem o popular dentro desses espaços. Precisamos ser vistos”, enfatizou.
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Empreendedores valorizam troca de experiências e parcerias
Participante ativa do encontro, a empreendedora Sônia Barreto levou confeitaria artesanal para apresentar. Ela ressaltou a importância do evento para ampliar seu público e trocar aprendizados com outros empreendedores. Entre as opções que ofereceu estavam brigadeiros, bolo de puba, tortas e panquecas recheadas, incluindo opções sem lactose.
“Aqui não tem concorrente, tem parceiro. É uma troca de experiência que enriquece nosso trabalho”, afirmou Sônia, destacando o ambiente colaborativo do encontro.
O artesanato como expressão cultural e econômica
O espaço também foi ocupado pelo artesanato, com a participação de Tatiana Duque, do Duque Ateliê, que trabalha com peças confeccionadas em família. Ela explicou que seu objetivo é despertar memórias afetivas e conexões emocionais por meio das peças, que incluem amigurumis e bolsas com design interativo.
Para Tatiana, a articulação entre universidades, organizações e pequenos empreendedores é fundamental para ampliar oportunidades de venda e fortalecer a economia local. “Participar desses eventos é essencial para nós, traz conhecimento e visibilidade”, destacou.
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Estudantes percebem impacto social e cultural do encontro
O envolvimento de estudantes no evento também chamou a atenção. Renata Carneiro e Ana Santana, alunas de Pedagogia, ressaltaram como a feira oferece uma experiência que vai além da sala de aula, reunindo cultura e diversidade em um espaço aberto à comunidade.
“A universidade costuma ser muito fechada no acadêmico, e trazer produtores de diferentes municípios e comunidades para cá amplia o diálogo e o alcance do que produzimos”, comentou Ana. A diversidade de produtos e a presença de representantes de várias localidades ampliam o significado do encontro, afirmaram as estudantes.
Expectativa para continuidade e fortalecimento da rede
Os organizadores e participantes demonstram otimismo em relação à continuidade do encontro e à consolidação da rede entre feiras. A ideia é formalizar uma carta reivindicatória que fortaleça a articulação e apoie políticas públicas para esses espaços, garantindo maior visibilidade e sustentabilidade para os empreendimentos populares.
Para Tatiana, a palavra-chave é perseverança. “Ser empreendedor exige persistência para alcançar o sucesso”, concluiu.

