Investimento sólido em economia solidária
O governo da Bahia tem direcionado R$ 107,7 milhões entre 2023 e 2026 para fortalecer a economia solidária e circular como ferramentas estratégicas de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional. Desse montante, R$ 57,6 milhões foram destinados aos 23 Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol), que atuam em 24 territórios de identidade, abrangendo 263 municípios.
Esses centros beneficiam diretamente cerca de 2,5 mil empreendimentos e 28 mil pessoas, com predominância feminina. Os negócios apoiados atuam em variados setores, incluindo alimentos, bebidas, confecção, hortaliças, apicultura e cosméticos, ampliando a diversidade produtiva local.
Fortalecimento da reciclagem e inclusão
Os recursos também contemplam o setor de reciclagem, impulsionando cooperativas e aprimorando as condições de trabalho dos profissionais envolvidos. Mais de 100 cooperativas de catadores de materiais recicláveis estão cadastradas, com suporte para coleta e comercialização junto à indústria. Só nos últimos anos, foram investidos mais de R$ 5 milhões em iniciativas que beneficiaram 4,7 mil trabalhadores, especialmente durante eventos de grande porte como o Carnaval de Salvador, o São João no interior e a Micareta de Feira de Santana.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, destaca que a Bahia possui uma das políticas públicas mais robustas do país nesse campo. Os Cesols oferecem assistência técnica, qualificação profissional, capacitação em vendas e apoio ao acesso ao microcrédito, além de organizar os empreendimentos e valorizar a produção local.
Equipamentos e responsabilidade ambiental
O governo apoia as associações de catadores para aquisição de maquinário como balanças, prensas e caminhões, além da estruturação de galpões. Vasconcelos ressalta que o avanço dessas políticas depende da combinação entre geração de renda, inclusão produtiva e responsabilidade ambiental, pautada por princípios como comércio justo, combate ao trabalho infantil e às condições análogas à escravidão, e promoção da dignidade de mulheres e pessoas com deficiência.
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O próximo passo envolve ampliar a capacidade produtiva das cooperativas para que avancem além da coleta e triagem, passando a transformar resíduos em produtos de maior valor agregado. A intenção é criar pequenas unidades industriais equipadas adequadamente, estimulando o desenvolvimento sustentável e econômico desses grupos.
Exemplo prático: produção de cacau e chocolate
Um exemplo dessa iniciativa é a Chocosol, ligada à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus. O empreendimento surgiu para oferecer alternativas de renda aos agricultores familiares diante da queda do preço do cacau, promovendo o beneficiamento da matéria-prima local.
Segundo João Geraldo, presidente da cooperativa, a fábrica-escola atende diretamente 30 produtores e indiretamente até 240 beneficiários. Os agricultores participam de todas as etapas produtivas, desde a colheita e secagem do cacau até a fabricação do chocolate, que atualmente é produzido em cinco linhas com diferentes concentrações de cacau.
Embora a capacidade de produção ainda não alcance 1,2 tonelada por mês, a cooperativa enfrenta desafios para ampliar o maquinário e garantir matéria-prima de qualidade. Quatorze empreendimentos aguardam para integrar a iniciativa, que gera emprego, renda e qualidade de vida na região, envolvendo toda a família.
Desafios e suporte aos produtores
Bárbara Aragão, coordenadora do Cesol Litoral Sul, destaca que os centros promovem qualificação dos produtos, criação de identidade visual, organização de compras coletivas e suporte jurídico, nutricional e institucional. O Cesol Litoral Sul atende 26 municípios na região.
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Entre os desafios está a resistência à organização coletiva dos produtores, enfrentada por meio de oficinas e atividades formativas. Além do chocolate, os empreendimentos locais atuam em artesanato, reciclagem e prestação de serviços, contribuindo para a diversificação econômica.
Economia circular na indústria baiana
A economia circular avança também no setor industrial, com ações focadas na redução de desperdícios, reaproveitamento de materiais e criação de produtos a partir de resíduos. Geane Almeida, assessora técnica da Gerência de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), informa que 131 das 272 práticas inscritas nas últimas edições do Prêmio Fieb Indústria Baiana Sustentável estavam relacionadas à economia circular.
Essas iniciativas englobam reciclagem, coprocessamento, logística reversa, recuperação de subprodutos, extensão da vida útil de produtos e substituição de matérias-primas virgens. O Sistema Fieb, por meio do Senai Cimatec, desenvolve pesquisas para aproveitar resíduos industriais e vegetais, como a aplicação de agregados siderúrgicos no tratamento de efluentes e a produção de nanocelulose a partir da fibra de coco.
Para ampliar essas práticas, são necessários investimentos em tecnologia, capacitação, financiamento e infraestrutura, além de maior cooperação entre indústria, poder público e cooperativas de reciclagem. Uma plataforma de simbiose industrial está em desenvolvimento para conectar empresas que geram resíduos a aquelas que podem reutilizá-los como matéria-prima, fortalecendo a economia circular no estado.

