Monitoramento contínuo nas áreas de risco de Salvador
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) atua com equipes de plantão 24 horas no Centro de Monitoramento e Alerta para acompanhar as áreas de risco da cidade durante todo o ano. O trabalho ganha força especial entre abril e junho, período conhecido como Operação Chuva, quando a capital baiana registra os maiores índices de precipitação e, consequentemente, maior risco de deslizamentos e enchentes.
Para minimizar os impactos causados pelas fortes chuvas e evitar tragédias, o órgão municipal aposta em tecnologia avançada e monitoramento em tempo real. Hugo Flávio Júnior, chefe do Setor de Mapeamento de Áreas de Risco e Engenharia Civil da Codesal, detalha que a instituição utiliza diversos sistemas digitais para identificar e agir preventivamente contra deslizamentos. Dentre as ferramentas está o GeoRisk, desenvolvido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que ajuda a detectar suscetibilidades nos terrenos.
Ferramentas digitais e alertas para prevenção
Além do GeoRisk, a Codesal emprega o sistema de georreferenciamento QGIS e o software Avenza Maps para mapear as zonas de perigo. A tecnologia é complementada por dados de 15 estações geotécnicas do Cemaden, que monitoram a saturação do solo. Segundo Hugo, quando o nível de encharcamento do terreno ultrapassa o limite seguro, aumentam os riscos de deslizamentos. Nessa situação, a Defesa Civil emite alertas, inclusive via SMS, para informar a população sobre possíveis emergências.
Atualmente, a capital baiana conta com 186 áreas de risco mapeadas, distribuídas por diferentes bairros. Destas, 14 possuem sistemas de alerta com sirenes que são acionadas em casos extremos, garantindo a evacuação rápida e segura dos moradores. Bairros como Alto da Terezinha, Cajazeiras, Sete de Abril e Castelo Branco já contam com essa proteção tecnológica.
Processo de mapeamento e ações preventivas
O mapeamento das áreas de risco começa com denúncias e chamadas feitas pela população através do telefone 199, canal oficial da Defesa Civil. Hugo Flávio explica que essas informações são usadas para definir e mapear as poligonais das regiões vulneráveis. Depois disso, essas áreas passam por monitoramento constante para avaliar se a situação piora, melhora ou permanece estável.
Além de acompanhar as chuvas, a Codesal segue um protocolo rigoroso previsto no Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), que estabelece quatro níveis de atenção: Observação, Atenção, Alerta e Alerta Máximo. Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta, destaca que o plano integra dados pluviométricos e visitas de campo, especialmente nas áreas que dispõem de sistemas de alerta. Vistorias são feitas regularmente para identificar sinais de deslizamentos ou riscos de desabamento, garantindo agilidade nas ações emergenciais.
Com essa estrutura tecnológica e operacional, a Defesa Civil de Salvador reforça a segurança da população diante dos desafios impostos pelas chuvas intensas, protegendo quem vive nas regiões mais vulneráveis da cidade.

