Um Governo em Crise
A recente derrota do governo na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) levantou suspeitas de traições dentro da base aliada, especialmente entre partidos como MDB e PP. Essa desconfiança está gerando um clima de tensão nas relações do Palácio do Planalto com seus aliados. Líderes do MDB, por exemplo, reagiram ao resultado negativo acusando o governo de transferir responsabilidades.
Um levantamento indicou que a rejeição a Messias gerou cerca de 1,2 milhão de menções nas redes sociais, com predominância de reações negativas oriundas da direita. Essa avalanche de críticas evidenciou a fragilidade do apoio governamental e as fissuras entre os partidos que compõem a base aliada.
Reação do PP e Alucinações Parlamentares
Dentro do PP, interlocutores do Planalto afirmam que a inflexão decisiva aconteceu no dia da votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou de forma decisiva, conseguindo consolidar a maior parte da bancada, que conta com sete votos. O apoio do presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), que havia se declarado favorável a Messias, foi considerado ambíguo, já que ele permaneceu ao lado de Alcolumbre durante a sessão, o que foi interpretado como uma aliança à articulação.
No MDB, a interpretação no Planalto é de que houve uma dissidência organizada na bancada. Integrantes do governo afirmam que Alcolumbre teve um papel relevante ao captar insatisfações em relação à escolha feita pelo presidente Lula e às disputas internas pela vaga no STF.
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A Resposta de Lula e as Ameaças do ‘Sistema’
Na noite de quinta-feira, em um pronunciamento transmitido em rede nacional por conta do Dia do Trabalho, o presidente Lula mencionou obstáculos criados pelo chamado “sistema”. Ele afirmou que cada avanço para melhorar a vida do povo brasileiro é frequentemente sabotado. Essa declaração sublinha o clima de insegurança que permeia o governo, especialmente agora que as relações entre aliados se tornaram ainda mais frágeis.
Defesa dos Aliados
Em resposta às acusações de traição, Eduardo Braga, líder do MDB no Senado, negou que a bancada tenha atuado contra a indicação de Messias. Ele descreveu as alegações como “intrigas” e “maledicência”, enquanto criticou a tentativa do governo de criar um ‘bode expiatório’. Sobre a situação, Braga argumentou que “aqueles que deveriam aprender com os erros estão afastando aliados ao tentar transferir responsabilidades pela derrota”.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também negou qualquer traição, chamando as especulações sobre seu voto e o dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga de improcedentes e mentirosas. Ele enfatizou que trabalharam e votaram a favor de Jorge Messias, ressaltando que derrotas devem ensinar, não criar rumores.
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Votação e Expectativas do Governo
Jorge Messias recebeu apenas 34 votos a favor, sete a menos do que precisava. A votação foi secreta e o núcleo mais alinhado ao governo, composto por senadores do PT, PDT e PSB, garantiu 18 votos. Mesmo assim, não há certeza sobre a fidelidade de outros 13 senadores que declararam apoio à indicação.
Dentro do grupo favorável a Messias, estavam sete senadores do MDB e outros membros de partidos como PSD e PSDB. Se todos tivessem cumprido a palavra, o total chegaria a 31 votos, mas o governo teme que traições tenham ocorrido entre senadores considerados mais próximos.
Estratégias e Conflitos dentro do Governo
Nesse cenário conturbado, parlamentares de oposição teriam garantido os votos de todos os 16 senadores do PL e de 11 que se opuseram a Messias, incluindo alguns do Republicanos e PSD. A disputa por esses votos inclui senadores que, embora estejam na oposição, não se pronunciaram claramente.
Quatro senadores consultados sob condição de anonimato relataram que Alcolumbre teria contatado parlamentares de centro e indecisos ao longo do dia da votação para pedir votos contra Messias, incentivando-os a convencer outros colegas. A assessoria do presidente do Senado, no entanto, negou essa informação.
A Crise de Jaques Wagner
Além disso, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), enfrentou críticas internas por ter previsto um cenário otimista para a votação, que não se concretizou. Após uma previsão inicial de 45 votos a favor, ele ajustou suas expectativas para 41, após conversar com o presidente Lula. Essa situação desencadeou preocupações sobre a eficácia da articulação política do ministro José Guimarães, que assumiu recentemente o cargo e que alguns acreditam que deveria ter agido para adiar a votação.
O resultado dessa derrota na indicação de Messias pode reverberar por tempo e gerar novas tensões nas relações do governo com seus aliados, o que pode impactar a governabilidade e a aprovação de futuras propostas.

