Festival FALA! volta a Salvador com foco em jornalismo de causas e diversidade cultural
Entre os dias 20 e 22 de agosto, Salvador recebe a 7ª edição do Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas, conhecido como Festival FALA!. O evento acontece na Casa Castro Alves e está com as inscrições abertas e gratuitas pela plataforma Sympla, convidando jornalistas, comunicadores, pesquisadores, criadores de conteúdo e estudantes de todo o Brasil a participarem.
Debates e homenagens que atravessam territórios e gerações
Organizado pelo Instituto FALA!, o festival é um espaço para discutir o futuro do jornalismo, a pluralidade das linguagens e o combate às desigualdades estruturais que atravessam o país. A programação, que se estende por três dias, inclui mesas de debate, intervenções artísticas, oficinas, rodas de conversa, sessões de oportunidade e exibição de documentários. O Festival FALA! é realizado pelas organizações independentes Alma Preta Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, fundadoras do Instituto FALA!.
Nesta edição, o festival presta homenagem ao geógrafo, jornalista e escritor Milton Santos (em memória), uma referência nos estudos sobre território e desigualdades, e um dos intelectuais brasileiros mais influentes do século 20, nascido em Brotas de Macaúbas, Bahia. Também é celebrada a trajetória da professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), escritora e ativista negra Ana Célia da Silva, cofundadora do bloco afro Ilê Aiyê e militante do Movimento Negro Unificado (MNU). Ana Célia foi fundamental para a formulação da Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nas escolas.
Programação diversa e conectada com o presente e o futuro
Na quinta-feira, 20 de agosto, o festival inicia às 15h30, com credenciamento e cerimonial, seguido da mesa “Outros Mundos Possíveis: as vozes que atravessam o tempo e imaginários que gestam o impossível”. Participam do debate Nina Santos, pesquisadora e neta de Milton Santos; Ana Célia da Silva; e o geógrafo Billy Malachias, com mediação de Rosane Borges.
Sexta-feira, 21, começa com intervenção artística de Nola Criola às 10h, seguida por uma mesa sobre tecnologias ancestrais e digitais no jornalismo de causas, com Helena Bertho (AzMina), Larissa Santiago (Blogueiras Negras) e Fábio Santos (pesquisador/Cacaus Biocosméticos), mediada por Midiã Noelle (Combne). A Sessão Oportunidade, conduzida por Elaine Silva e Ícaro Lima da Rede de Treinamentos FALA!, ocorre das 11h45 às 12h15.
À tarde, o Cine Fala exibe documentários dos coletivos vencedores do Edital Fala 2026 Brasília: Coletivo Retratação, Rádio West Side e Casa de Laffond. Em seguida, a roda de conversa “Quem protege o jornalismo de causas e fortalece quem comunica?” reúne Charlene Nagae (Tornavoz) e Fani Santos (Instituto de Defesa da População Negra). Urubu MC faz intervenção artística às 16h, seguida pela mesa “Geografias da palavra: raça, território, comunicação e a criação de outros imaginários”, com Rodrigo Coelho (Nordeste, eu sou), Xohãni Pataxó e Natureza França (Rede ao Redor). A programação da sexta-feira é encerrada com intervenção artística do Ministereo Público Sound System às 19h.
No sábado, 22, o dia começa com intervenção artística de Sued Hosaná às 10h, seguida do Tributo à Resistência: Movimento Negro Unificado (MNU), Unegro e o Legado de Mãe Hilda, com participação de Samira Soares (MNU), Marina Duarte (UNEGRO) e Valéria Lima (Instituto Mãe Hilda Jitolu). Logo após, ocorre a mesa “Futuros do presente: juventude negra, inovação e comunicação”, com Victória Lôbo (Conquista Repórter), Romero Matheo (Iniciativa Negra) e mediação de Luciane Neves (Mídia étnica).
À tarde, as oficinas “Mapas para jornalismo de causas”, com Martihene Oliveira e Denis Oliveira, e “Comunicação e cultura transformam: como captar recursos para eventos e movimentos”, com Wandersa Martins (FAJ) e Lígia Batista, abrem espaço para o debate prático. Seguida da intervenção artística de Nayri Bam, a última mesa do festival às 16h30 discute “Como as mulheres negras articulam a vida e a voz nas comunidades”, com Valdecir Nascimento, Mônica Anjos, Negra Jhô e Thifanny Odara, mediação de Rosane Borges e intervenção artística com Samba da Lua.
O Festival FALA! e sua trajetória pelo jornalismo popular e plural
Desde sua estreia em 2020, o Festival FALA! se consolidou como um espaço vital para discutir o papel do jornalismo na sociedade brasileira a partir de uma perspectiva popular e diversa. Já passou por cidades como Recife, Belém e Brasília, sempre com foco na formação e conexão entre profissionais e estudantes. A primeira edição presencial em Salvador ocorreu em 2022, marcada pelo lançamento do Edital FALA! para grupos de comunicação independentes, coletivos e artistas, além da fundação do Instituto FALA!.
Naquela ocasião, o evento reuniu lideranças como a indígena Célia Tupinambá e a jornalista Midiã Noelle, reforçando a importância do encontro para a cena cultural e jornalística local e nacional. O Festival FALA! segue em 2026 com uma programação que valoriza o diálogo, a diversidade e a inovação, convidando o público a se engajar nas narrativas que transformam o Brasil.

