Ministério Público Eleitoral questiona candidatura de Binho Galinha
O Ministério Público Eleitoral (MPE) protocolou nesta sexta-feira (7) pedido para impugnar o registro de candidatura à reeleição do deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante). O documento, obtido pelo Bahia Notícias e assinado pelo procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão, aponta que o parlamentar seria líder de uma organização criminosa armada na região de Feira de Santana, fato que, segundo o MPE, o torna inapto para exercer o mandato.
Base legal e impacto no processo eleitoral
O pedido do MPE se fundamenta em entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, com base na Constituição, proíbe a participação de integrantes de organizações paramilitares ou grupos criminosos organizados nas eleições. Para o órgão, a candidatura de Binho Galinha comprometeria a legitimidade e a normalidade do pleito. O processo está em análise no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), sob relatoria do desembargador Moacyr Pitta Lima Filho, e aguarda julgamento.
Condenações e acusações contra o deputado
Segundo o documento do Ministério Público, Binho Galinha já foi condenado, em ação penal da Justiça estadual, a mais de 36 anos e 9 meses de prisão por crimes relacionados ao Estatuto do Desarmamento, como posse de armamento de uso restrito e com numeração suprimida. As acusações de comando da organização criminosa se baseiam nas operações El Patrón, Hybris e Estado Anômico, que indicam envolvimento em lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem, receptação e exploração do jogo do bicho.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Estrutura do grupo e continuidade das atividades
De acordo com a investigação citada no pedido, a suposta organização teria cinco núcleos, incluindo um braço armado formado por policiais militares responsáveis pela segurança pessoal do deputado e por cobranças violentas. O MPE afirma que, mesmo após as primeiras operações e medidas cautelares, o grupo continuou atuando por meio de terceiros, entre eles a esposa e o filho do parlamentar.
Provas e movimentações financeiras suspeitas
O pedido de impugnação reúne ainda outros elementos levantados pelas investigações. Durante buscas, a Polícia Federal encontrou fuzis, pistolas, revólveres e espingardas em endereços ligados ao deputado. Análises da Receita Federal apontam movimentação financeira superior a R$ 15 milhões líquidos, incompatível com os rendimentos declarados, além de 12 imóveis sem lastro financeiro. Dados telemáticos revelaram contatos do parlamentar com mais de 120 policiais civis e militares, além de planilhas indicando pagamentos a agentes dessas instituições em Feira de Santana.

