A Reviravolta Política na Bahia
A recente movimentação do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, focando nas candidaturas do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do ex-governador Jaques Wagner ao Senado, resultou na saída do senador Ângelo Coronel (sem partido) da base governista. Coronel, um antigo aliado do governador Jerônimo Rodrigues, decidiu se alinhar ao candidato ACM Neto (União), que disputa a vaga de governador contra o petista. Essa nova aliança coloca o senador em palanques opostos à sua antiga legenda, enquanto a segunda vaga ao Senado pode ser ocupada pelo ex-ministro João Roma, atual presidente estadual do PL.
A decisão de Coronel de deixar o PSD, partido que deixou em fevereiro após perder espaço na chapa majoritária de 2026, não foi fácil. Durante reuniões com Otto Alencar, presidente estadual do PSD, e Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla, o senador tentou reverter sua situação. No entanto, a decisão do PSD de apoiar a chapa formada por Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado foi um fator determinante para sua saída. “O PSD estava se coligando com o PT na Bahia para esta eleição e resolvi sair do partido para me aliar ao ACM Neto”, afirmou Coronel, que também expressou dificuldades em assegurar uma candidatura independente ou dentro do próprio PSD.
Com a nova aliança de Coronel com ACM Neto, o cenário se torna desafiador para o PT, que almeja emplacar dois senadores na Bahia. A sigla pretende formar uma chamada “superchapa dos vencedores”, que não só visa a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, mas também a vitória de Jerônimo nas eleições. Coronel, ao tentar buscar espaço para conservar seu mandato, acabou ampliando as tensões entre o PT e o PSD na base governista.
O Impacto da Saída de Coronel na Base Governista
A ausência de Ângelo Coronel na base de Jerônimo Rodrigues pode provocar novas fricções entre os aliados do governador, principalmente considerando que a maioria dos deputados e senadores do PSD na Bahia continua alinhada politicamente ao ex-senador. Essa situação poderá afetar a coesão da base governista e suas estratégias eleitorais nas próximas semanas.
Em resposta às recentes movimentações, Tassio Brito, presidente estadual do PT, ressaltou que a sigla apresentou ao conselho político do governo em setembro uma chapa ao Senado que considera “mais forte para disputar a eleição”. Brito defende que Rui Costa e Jaques Wagner possuem uma identificação sólida com o eleitorado baiano e um bom trânsito em diversas legendas. “Não é uma chapa puro-sangue, porque a coalizão tem mais de dez partidos”, disse o dirigente petista, referindo-se ao apoio que a chapa recebeu e ao debate ocorrido no conselho de governo. O impasse se agravou após Coronel tentar influenciar o PSD estadual por meio do diretório nacional.
Um tema que ainda está em discussão entre os petistas é a escolha do vice para compor a chapa de Jerônimo. Embora a permanência de Geraldo Júnior (MDB) no cargo seja vista como o caminho mais provável, os petistas indicam que ainda não há uma decisão final. A definição da vice-candidatura pode influenciar ainda mais o desenrolar da campanha petista na Bahia, especialmente com a oposição se reorganizando.

