Prorrogação da emergência reforça combate à contaminação
A Prefeitura de Salvador renovou o decreto que mantém a situação de emergência na praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, por mais 90 dias. A decisão, publicada no Diário Oficial do Município (DOM) desta terça-feira (11), responde à persistência dos impactos ambientais e sociais causados pela presença de substâncias químicas na área.
Desde fevereiro, manchas nas cores azul e amarela têm sido observadas tanto na areia quanto no mar da praia. Investigações realizadas em maio confirmaram a contaminação por elementos como cobre e nitrato, substâncias que afetam a qualidade ambiental e a saúde pública local.
Impactos na comunidade e no meio ambiente
O problema tem prejudicado a visitação local e dificultado o trabalho de pescadores, marisqueiras e demais profissionais que dependem da praia para sua subsistência. Em 20 de junho, o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito civil para aprofundar a apuração dos efeitos causados pelo despejo de resíduos poluentes na região.
Conforme o decreto inicial nº 41.834, a contaminação foi provocada pelo derramamento de produtos químicos em ambientes lacustres, fluviais, marinhos e aquíferos, com a área atingida delimitada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Relatórios técnicos evidenciam níveis elevados de metais pesados
O Inema identificou concentrações elevadas de metais pesados, como ferro, cobre e zinco, em organismos marinhos coletados na área afetada. Os níveis mais altos foram encontrados em moluscos bivalves — como ostras e mexilhões —, que apresentaram índices maiores que os detectados em crustáceos.
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Fonte: agazetadorio.com.br
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Fonte: cidaderecife.com.br
A investigação relaciona a contaminação às atividades das empresas Intermarítima e Gerdau, responsáveis por impactos ao longo da faixa litorânea de São Tomé de Paripe. Em consequência, o Inema aplicou multas de R$ 20 milhões e R$ 50 milhões às empresas, respectivamente.
Posicionamento das empresas e medidas municipais
A Intermarítima afirmou não movimentar cargas relacionadas às substâncias encontradas na praia. Já a Gerdau declarou que apresentará defesa formal e ressaltou que, desde 2022, não detém mais a licença ambiental para atuar no local.
Com a situação de emergência reconhecida, a prefeitura está autorizada a mobilizar órgãos municipais para implementar ações de resposta, assistência à população afetada e recuperação ambiental. Além disso, a medida abre caminho para o reconhecimento federal da emergência, facilitando a captação de recursos da União para apoio humanitário e obras de recuperação.
Monitoramento contínuo e desafios para a comunidade pesqueira
A prefeitura informou que continuará monitorando a situação e poderá adotar novas medidas conforme o cenário evolua. Em entrevista ao g1, o presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, relatou que cerca de 1.200 profissionais buscam alternativas para manter sua renda, incluindo atividades como reciclagem.
“Esse produto tóxico acaba com tudo, alguns pescadores estão catando lata, papelão, fazendo reciclagem para sobreviver”, revelou Cirne, evidenciando o impacto direto na economia local.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Riscos à saúde pública e orientações da Secretaria de Saúde
Especialistas alertam que as substâncias químicas presentes oferecem riscos à saúde da população. Moradores da região reclamam da falta de orientações e sinalizações adequadas na praia, que não foi interditada após a contaminação.
De acordo com análises da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os produtos químicos podem causar irritações cutâneas e problemas gastrointestinais. Equipes da Vigilância em Saúde atuam na localidade, monitorando casos suspeitos de intoxicação, que já foram notificados e estão sob acompanhamento.
A SMS orienta a população a evitar o consumo de peixes e mariscos capturados na área, o contato direto com a água do mar na região contaminada e a buscar assistência médica ao apresentar sintomas como manchas na pele, coceira, náuseas ou dificuldades respiratórias.
Posicionamento oficial da Gerdau
Em nota, a Gerdau confirmou o recebimento do auto de infração emitido pelo Inema e afirmou que apresentará defesa administrativa, baseada em documentos e laudos técnicos. A empresa ressaltou que não é titular da licença ambiental vigente do Terminal Marítimo desde 2022, quando a transferência foi feita para a Intermarítima, atual proprietária e operadora do terminal.
A companhia reiterou seu compromisso com as comunidades e o meio ambiente, destacando o diálogo aberto com as autoridades competentes.

