Arte indígena ocupa cenário urbano de Salvador
Salvador ganhou um novo símbolo da arte urbana brasileira com a conclusão do mural “Águas Ancestrais”, criado pelos artistas indígenas Thiago Tupinambá, da Bahia, e Isa Muriá, do Pará. A obra é o maior mural horizontal já feito por artistas indígenas no país e está localizado na ligação Iguatemi–Paralela, um dos principais corredores viários da capital baiana. Ao transformar a extensa superfície de concreto, o mural resgata memórias, identidade e destaca a presença indígena no espaço urbano.
Conexão entre arte, memória e cidade
Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, em parceria com a Trevo Produções, o mural faz parte do Circuito de Murais do BRT – Arte como respiro, memória e território vivo em Salvador. Com curadoria do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre, a iniciativa amplia o circuito de arte pública da cidade, aproximando a produção contemporânea da rotina de milhares de pessoas que passam diariamente pela região. O bairro do Itaigara já está inserido na segunda fase do projeto.
Um rio de histórias e ancestralidade
Com o conceito “Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo”, o mural parte da origem indígena Tupi-Guarani do nome Iguatemi, que significa “rio ondulante” ou “água que corre”. A partir dessa inspiração, Thiago Tupinambá e Isa Muriá elaboraram uma composição que mistura grafismos, símbolos, referências sonoras, memória e movimento. Um rio visual percorre toda a extensão da obra, conectando seus elementos e transformando o concreto em água em fluxo constante.
Na narrativa, a água é o elo que carrega histórias, identidades e saberes ancestrais, em constante transformação. O mural provoca uma reflexão sobre a relação entre corpo, território, natureza, cidade e ancestralidade. Onde antes corria o Rio Camarajipe, um rio simbólico de 200 metros de extensão, as Carrancas do Rio São Francisco são trazidas para visitar a Cidade da Música, criando altares sonoros que unem a música soteropolitana à ancestralidade indígena.
Diálogo cultural entre Bahia e Pará
A parceria entre Thiago Tupinambá e Isa Muriá reúne dois artistas indígenas com trajetórias e territórios distintos. Essa união promove um diálogo entre as referências culturais da Bahia e do Pará, levando ao espaço público uma expressão artística contemporânea que conecta as origens e a diversidade dos povos indígenas brasileiros.
Além do impacto visual e monumental, “Águas Ancestrais” destaca a centralidade dos artistas indígenas na criação e ocupação artística da cidade. A obra desafia representações externas e reafirma o protagonismo dos indígenas na construção de suas próprias histórias.
Arte pública para toda a população
Localizado em uma das avenidas mais movimentadas de Salvador, o mural passa a fazer parte permanente da paisagem urbana. Motoristas, passageiros de transporte público, ciclistas, pedestres, moradores e visitantes têm contato diário com essa intervenção que valoriza o espaço público, democratiza o acesso à arte e reforça a presença indígena como um componente vivo e essencial da cultura brasileira.
Com “Águas Ancestrais”, o Projeto MURAL reafirma seu compromisso com a transformação da cidade por meio da arte, da memória e da diversidade de vozes que formam Salvador.
Ficha técnica
Obra: Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo
Local: ligação Iguatemi–Paralela, Salvador, Bahia
Projeto: Circuito de Murais do BRT – Arte Como Respiro, Memória e Território Vivo
Artistas: Thiago Tupinambá e Isa Muriá
Curadoria: Vanessa Vieira / Projeto MURAL
Coordenação executiva: Marcos Clement
Produção de campo: Gui Capriolli
Assistente de produção: Rubens Chagas – Suck
Assistentes de pintura: Flávio Córtex, Pérola Aimée e Canário
Apoio: Transalvador
Realização: Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador

