Críticas à gestão de Bruno Reis no transporte durante o segundo turno
Bruno Reis (União), prefeito de Salvador, tem sido foco de críticas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela redução da frota de ônibus na capital baiana no domingo, dia decisivo do segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A acusação é que a diminuição do transporte público teria dificultado o acesso dos eleitores aos locais de votação.
Perfil eleitoral e trajetória política do prefeito
Eleito em 2020 aos 49 anos, Bruno Reis foi reeleito em 2024 já no primeiro turno, obtendo 78,67% dos votos — a maior votação da história de Salvador. Seu desempenho superou o de seu aliado ACM Neto, que havia sido reeleito em 2016 com 73% dos votos. Na campanha para a reeleição, Reis optou por manter distância do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo desempenho na capital foi modesto em 2022, com 29% dos votos, enquanto Lula alcançou 70%.
Decisão do STF estende horário de votação após problemas no transporte
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão da votação até as 19h em todo o país, após relatos de dificuldades no transporte de eleitores. O pedido foi feito pela campanha de Lula, que busca garantir a participação plena no processo eleitoral. A decisão visa assegurar o direito ao voto diante dos obstáculos enfrentados por eleitores em diversas regiões.
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Posicionamento da prefeitura e do governo da Bahia
Bruno Reis afirmou que os problemas operacionais que causaram atraso na saída dos ônibus já foram resolvidos. Ele reconheceu mobilizações políticas que atrapalharam a operação na manhã do domingo, mas garantiu que a frota estava disponível para transportar os eleitores. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) declarou que disponibilizou policiais habilitados para dirigir ônibus, caso necessário, e repudiou qualquer tentativa de impedir o exercício do direito ao voto.
Medidas judiciais e consequências administrativas
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após aproximadamente 75 ônibus serem impedidos de deixar as garagens devido à adesivação com número de urna do presidente Lula. A decisão também exige o restabelecimento imediato da frota máxima, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão e fiscalização da Polícia Civil com uso de drones. O caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação de possíveis crimes eleitorais.
Solicitações da campanha de Lula para garantir transporte e votação
A campanha do presidente Lula acionou o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a extensão do horário de votação e a manutenção da frota de ônibus com gratuidade até pelo menos duas horas após o encerramento da votação. O pedido abrange Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, na Bahia, além de municípios em outros estados, totalizando mais de 77 milhões de eleitores. A intenção é garantir que dificuldades no transporte não comprometam o direito ao voto.
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Panorama político e impacto administrativo na Bahia
As cidades citadas são governadas por prefeitos do União Brasil, partido que se opõe ao PT no estado. Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana reúnem cerca de 2,5 milhões de eleitores, o que torna as questões logísticas relacionadas ao transporte essenciais para o processo eleitoral. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acompanha as demandas e enfatiza que as ações serão analisadas conforme o andamento da apuração dos fatos.
Fiscalização e próximos passos
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Boas Cueva, determinou que o TRE-BA informe sobre as medidas adotadas para enfrentar os relatos de dificuldades no transporte. Também estabeleceu o registro das ocorrências e a distribuição de senhas para eleitores presentes até as 17h nos locais de votação. A Procuradoria-Geral Eleitoral e a Procuradoria Regional na Bahia acompanham o caso, que pode resultar em investigação formal e eventuais sanções aos responsáveis.

