Bahia registra aumento de turistas estrangeiros e se destaca no Nordeste
A Bahia recebeu 123,5 mil turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, representando um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O levantamento feito pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), em parceria com o Ministério do Turismo e a Polícia Federal, posiciona o estado como líder na região Nordeste, superando Pernambuco, com 93 mil visitantes, e Ceará, com 69,5 mil.
Salvador como porta de entrada para destinos naturais da Bahia
Grande parte desses turistas desembarca em Salvador, que funciona como base para explorar destinos dentro do estado. Muitos seguem para a Chapada Diamantina, no centro da Bahia, e para o arquipélago de Tinharé, localizado no litoral sul. Esses roteiros combinam trajetos rodoviários e travessias marítimas, o que exige planejamento e atenção aos horários para conexões.
Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo, com atuação no estado desde 2006, destaca que o crescimento do turismo internacional traz não só mais visitantes, mas também um público com perfis e interesses variados. “Salvador está atraindo mais estrangeiros, o que impacta diretamente nas agências receptivas, especialmente na procura por roteiros que unem a capital a destinos de natureza e praia no interior da Bahia”, explica.
O desafio e a experiência do trekking no Vale do Pati
Entre as atrações de ecoturismo, o trekking de três dias no Vale do Pati, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, é um dos mais procurados. Criado em 1985, o parque abrange mais de 152 mil hectares distribuídos em seis municípios baianos.
Segundo Pedreira, é fundamental que os visitantes entendam que essa não é uma atividade convencional. “O Vale do Pati é uma experiência de caminhada intensa, com três dias de percurso e duas noites hospedados nas casas de moradores locais. Os acessos mais comuns são por Guiné, no município de Mucugê, ou por outras entradas, dependendo do roteiro escolhido”, esclarece.
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O trajeto envolve deslocamento até a Chapada Diamantina, com bases em Lençóis ou Palmeiras, seguido do transporte até Guiné, onde começa a caminhada. O percurso inclui locais como os Gerais do Rio Preto, o Mirante do Pati e várias cachoeiras, com distâncias diárias que variam entre 10 e 18 quilômetros e mudanças significativas de altitude.
Logística e travessias para Morro de São Paulo
No litoral sul, o acesso a Morro de São Paulo, situado em uma ilha sem conexão rodoviária com o continente, é feito exclusivamente por embarcação. Para turistas internacionais, consultar os horários do catamarã é um passo fundamental para organizar a viagem, especialmente para ajustar os voos internacionais.
O CEO da Bahia Terra Turismo observa que a logística pode parecer complexa, mas é relativamente simples. As saídas partem diariamente de Salvador, com trajeto marítimo de cerca de 64 quilômetros e duração aproximada de duas horas e meia. O catamarã tem partidas às 9h e 14h30, enquanto o retorno ocorre às 11h30 e 15h.
Um cuidado importante é o intervalo entre a travessia e o voo, já que o percurso pode ser feito por sistema semi-terrestre em caso de mau tempo. Por isso, a recomendação é deixar pelo menos seis horas entre a saída de Morro de São Paulo e o horário do voo.
Boipeba: acesso restrito como parte da experiência
Também no arquipélago, a Ilha de Boipeba tem fluxo menor de visitantes e não possui ligação rodoviária direta com Salvador. A dificuldade de acesso é vista como um diferencial pelo público que busca o local.
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Pedreira explica que há várias opções para chegar à ilha, como o trajeto por estrada até Graciosa, seguido de lancha, além de alternativas que passam por Valença ou Morro de São Paulo. Existe ainda um serviço de lancha rápida direto da capital para Boipeba.
Infraestrutura e comunicação são desafios para ampliar o turismo no interior
Para ampliar a distribuição dos turistas pelo estado, o CEO da Bahia Terra Turismo aponta três frentes prioritárias. A primeira é a integração dos transportes. “Embora o turista internacional chegue bem a Salvador, a logística para alcançar determinados destinos ainda depende muito do conhecimento local”, explica, defendendo conexões mais eficientes entre aeroporto, rodoviária, transporte terrestre e marítimo.
A comunicação clara é a segunda prioridade. É essencial informar o visitante sobre como chegar aos destinos, o tempo necessário, as alternativas em caso de alterações climáticas, pontos de embarque e procedimentos em cada etapa da viagem.
A terceira diz respeito à infraestrutura dos destinos, que precisa ser aprimorada sem perder suas características. Boipeba, por exemplo, não deve receber turismo de massa, assim como o Vale do Pati não deve se tornar um roteiro convencional. Ambos, no entanto, necessitam de segurança, saneamento, conectividade, sinalização, capacitação e transporte adequado.
Desafio atual: distribuir o turismo para gerar renda em todo o território baiano
Com a Bahia liderando o Nordeste em chegadas internacionais e Salvador consolidada como entrada principal, a discussão no setor passa a focar não apenas no volume, mas na distribuição do fluxo turístico. “O desafio não é só atrair mais turistas, mas garantir que esse crescimento beneficie diversas comunidades pelo estado”, conclui Felipe Oliveira Pedreira.

