Denúncia do Ministério Público contra policiais na Bahia
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou seis policiais, entre militares e civis, por participação em uma ação que resultou na morte de um guia de Turismo conhecido como Vitinho, e de outro homem identificado como Davisson Sampaio dos Santos, o “Alongado”, que era procurado pela polícia. Um terceiro indivíduo foi preso, mas sua identidade não foi divulgada.
Na época dos fatos, familiares relataram que Vitinho estava trabalhando quando foi abordado e detido pelos policiais. A polícia, por sua vez, afirmou que o jovem teria resistido à prisão. Para aprofundar as investigações, os corpos de Vitinho e de Alongado foram exumados.
Acusações e detalhes da operação
O MP-BA apontou que os seis policiais são acusados por dois homicídios qualificados, motivados por razões torpes, com emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito. Entre os denunciados, quatro são militares e dois civis, cujos nomes não foram divulgados pelo órgão.
A denúncia descreve que durante a “Operação Travessia“, os agentes chegaram ao local fortemente armados, com vestimentas táticas, atuando de forma coordenada. O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) revelou que uma das vítimas foi alvo de múltiplos disparos em local público, sem chance de defesa. A outra vítima foi abordada, revistada e, posteriormente, alvejada.
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Indícios de violência e fraude processual
O laudo pericial indicou que Vitinho apresentava lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros. Para o MP-BA, as provas sugerem que as mortes ocorreram fora de um confronto legítimo, já que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade diante da ação policial.
Além da acusação por homicídio, os dois policiais civis também respondem pelo crime de fraude processual, previsto no artigo 347 do Código Penal. Eles teriam praticado atos para alterar artificialmente o estado dos fatos após o ocorrido. A conduta dos policiais militares será investigada pela Vara de Auditoria Militar, que tem competência para apurar essas ações.
Contexto da operação e confusão com o guia de turismo
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que todas as medidas investigativas foram adotadas para esclarecer a dinâmica da ocorrência, garantindo transparência, mas não comentou sobre a denúncia.
A operação policial, realizada em 10 de maio do ano passado, tinha como objetivo cumprir mandado de prisão contra Alongado, suspeito de liderar uma facção criminosa em Caraíva. A ação envolveu policiais civis, militares e agentes federais.
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Segundo moradores e familiares, o guia de turismo Vitinho teria sido confundido com o segurança do suspeito, que também usava o mesmo apelido. Na tarde da ação, Vitinho saiu da pousada onde trabalhava para buscar turistas na balsa que dá acesso ao distrito. Próximo à balsa, ele teria percebido a movimentação policial e buscado proteger o grupo dentro de um comércio local.
Ao sair do comércio para verificar se já poderia levar os turistas até a pousada, Vitinho foi abordado, algemado e levado pelos policiais, conforme testemunhas. Familiares ainda afirmaram que ele sofreu tortura, apresentando rosto desfigurado, marcas de algemas e arranhões nos joelhos.
Contraste entre relatos familiares e laudo oficial
O atestado de óbito aponta que Vitinho morreu em via pública em Caraíva, vítima de politraumatismo torácico, choque hemorrágico e projétil de arma de fogo. Questionada, a polícia não se manifestou sobre as divergências entre os relatos familiares e o documento oficial.

