Integração entre Rota Bahia-Minas e Caminho da Fé
Empreendedores de diferentes setores que atuam na Rota Bahia-Minas participaram, no início de julho, de uma imersão promovida pelo Sebrae Minas no Caminho da Fé. Essa rota, reconhecida oficialmente como itinerário turístico pelo governo, abrange mais de 70 cidades de São Paulo e Minas Gerais. Durante a missão técnica, o grupo visitou diversos empreendimentos e trocou experiências com gestores da Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF), com o objetivo de reunir ideias que possam incentivar o desenvolvimento do percurso.
Origem e importância do Caminho da Fé
Inspirado no tradicional Caminho de Santiago de Compostela, o Caminho da Fé tem como destino final o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, principal polo de turismo religioso do Brasil. A rota atrai cerca de 35 mil peregrinos todos os anos, que a percorrem a pé ou de bicicleta, buscando uma experiência de fé e contato com a natureza.
Aprendizados para a Rota Bahia-Minas
Durante a viagem, destacaram-se o modelo de gestão, a organização de eventos, a estrutura de apoio aos cicloturistas e as estratégias de comercialização das experiências. Esses aspectos trouxeram aprendizados importantes que podem ser adaptados para fortalecer e consolidar a Rota Bahia-Minas como destino turístico.
O Caminho da Fé e a Rota Bahia-Minas têm em comum o turismo de base comunitária, que oferece aos visitantes a oportunidade de viver experiências autênticas, conectadas às histórias e às comunidades locais. “São dois projetos de turismo de base que, mesmo distantes e com motivações diferentes, possuem essência bem parecida. Quem percorre os destinos vive uma experiência de resgate da simplicidade e da brasilidade que ainda resiste no interior”, explica o analista do Sebrae Minas, Jeferson Batalha.
Para o presidente da Associação de Empreendedores da Rota Turística Bahia-Minas, Wender Márcio, “entender os passos dados por outra associação abre o caminho” para a consolidação da rota, que está em processo de fortalecimento.
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Gestão e reconhecimento oficial do Caminho da Fé
O Caminho da Fé é gerido pela Associação dos Amigos do Caminho da Fé (AACF), responsável pelo planejamento estratégico, preservação da rota e proteção da marca. Em 30 de junho, o roteiro recebeu o reconhecimento como itinerário turístico por meio da sanção da Lei Federal 15.449/2026, abrangendo os estados de Minas Gerais e São Paulo. Com essa oficialização, os municípios envolvidos poderão contar com apoio para estruturar, promover e preservar seus atrativos turísticos.
Camila Bassi, gestora do Caminho da Fé, destaca que “o turismo de base é uma estratégia fundamental para o desenvolvimento de territórios, incentivando novos negócios, fortalecendo o acolhimento das comunidades e valorizando a identidade cultural das localidades”.
Reativação e atrativos da Rota Bahia-Minas
A Rota Bahia-Minas, que revive o trecho da antiga estrada de ferro que ligava Araçuaí (MG) a Ponta de Areia, em Caravelas (BA), foi reativada em 2018 com o apoio do Sebrae Minas. O projeto de desenvolvimento regional envolveu os municípios dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, promovendo ações de qualificação para empreendedores locais por meio do programa Check-in Turismo. O intuito é oferecer experiências turísticas aprimoradas, atrair visitantes e gerar emprego e renda.
Ao longo do percurso, é possível encontrar edificações históricas como vilas, capelas, igrejas, estações e fazendas, muitas preservadas desde a época da ferrovia. Destacam-se também pontilhões de ferro fundido, túneis centenários, riachos, cachoeiras e formações rochosas que refletem a ação da natureza ao longo de milhões de anos.
Riquezas naturais e culturais pelo caminho
O trajeto permite observar a transição entre os biomas da caatinga e da mata atlântica, com diversidade de flora e fauna, além de variações climáticas que favorecem o ecoturismo. Em Araçuaí, ponto inicial da rota, está a última estação da ferrovia, concluída em 1942, e o Museu de Araçuaí, que preserva a história do Vale do Jequitinhonha por meio de objetos e documentos que revelam a cultura local.
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Seguindo o caminho, o visitante passa pela estação Engenheiro Schnoor, com seus impressionantes cortes de pedras, e pelo distrito de Queixada, onde é possível provar iguarias típicas preparadas em fogão a lenha, além do tradicional pastel da cidade. Em Ladainha, as cachoeiras em meio à mata atlântica oferecem momentos de tranquilidade, enquanto a antiga estação de trem foi transformada em ateliê de artes.
Na comunidade de Sucanga, em Poté, a estação inaugurada em 1927 mantém sua estrutura original, e a rota segue até a estação de Valão e a cidade de Teófilo Otoni. Na zona rural de Teófilo Otoni, o Sítio Pé na Roça abriga o museu “As Kalanga Véia”, com um acervo de mais de 90 bicicletas de diversos tipos, além de um espaço para receber os visitantes com café e quitandas.
O percurso termina em Carlos Chagas, Minas Gerais, na comunidade de Francisco Sá, onde o Grupo Teatral Dramedia apresenta a peça “Trilhos de um Destino: A Força do Homem e do Vapor”, que conta a história do construtor da ferrovia, José Joaquim de Amorim. Na mesma localidade, a Rocinha Pouso e Café oferece opções de hospedagem e gastronomia típicas da região.
Planeje sua visita à Rota Bahia-Minas
Para quem deseja explorar a Rota Bahia-Minas, o site oficial oferece informações atualizadas sobre dicas de viagem, programação de eventos, hospedagem e gastronomia local, facilitando o planejamento de uma experiência autêntica e enriquecedora no interior da Bahia e Minas Gerais.

