Intercâmbio em Sergipe fortalece práticas de agricultura familiar e economia solidária
Entre março e abril de 2026, o Projeto Semeando o Bem Viver, promovido pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com a Petrobras, consolidou uma agenda dedicada ao fortalecimento da agricultura familiar, economia solidária, empreendedorismo comunitário, agroecologia e segurança alimentar sustentável. As ações ocorreram em Sergipe, Bahia e Brasília, envolvendo lideranças comunitárias, agricultores familiares, equipes técnicas, gestores públicos e representantes da sociedade civil, com destaque para as comunidades de Catu e Araçás, na Bahia.
O intercâmbio realizado entre os dias 10 e 13 de março em Indiaroba, Sergipe, reuniu participantes da Bahia e Sergipe para troca de experiências sobre organização produtiva, cooperativismo, economia solidária e acesso a políticas públicas. A programação visitou a comunidade de Terra Caída, onde empreendimentos ligados ao turismo de base comunitária, pesca, artesanato e gastronomia local mostraram a integração entre cultura e geração de renda.
Comunidades quilombolas e iniciativas locais impulsionam economia regional
A visita ao Assentamento Sete Brejos destacou a atuação da Cooperativa de Agricultores(as) Familiares (COOPERAFIR), evidenciando a importância da organização coletiva para fortalecer a inserção em políticas públicas e o desenvolvimento social e econômico. Na Comunidade Quilombola Desterro do Félix, os participantes trocaram saberes e discutiram desafios comuns, reforçando o papel dessas comunidades na preservação territorial e no desenvolvimento baseado na cooperação.
Também em Colônia, práticas de organização comunitária mostraram como a articulação entre moradores e agricultores pode ampliar a comercialização, fortalecer vínculos sociais e garantir sustentabilidade econômica local. Na sede de Indiaroba, a visita ao Banco Popular de Indiaroba (BPI) apresentou o uso da moeda social Aratu, que estimula o comércio regional e oferece alternativas de financiamento para pequenos produtores.
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Protagonismo feminino e comercialização na Feira Março Mulher em Feira de Santana
De 24 a 26 de março, agricultoras familiares de Catu e Araçás, acompanhadas pelo projeto, participaram da Feira Março Mulher — Raízes de Empoderamento e Conexão Solidária, realizada na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O evento combinou seminários sobre feminicídio, políticas públicas e agroecologia com comercialização de produtos da agricultura familiar, promovendo formação política e debate social.
Durante a feira, o projeto também organizou uma roda de conversa sobre energias renováveis, destacando a relação entre produção agrícola, acesso à energia, redução de custos e melhoria das condições de vida no campo. Com cerca de 200 expositoras e expositores, a feira reforçou a importância dos circuitos curtos de comercialização para ampliar a renda dos pequenos produtores e fortalecer a economia local.
Debates sobre sistemas alimentares sustentáveis ganham espaço em Brasília
No dia 9 de abril, em Brasília, foi realizada a oficina de lançamento da iniciativa TEEBagrifood no Brasil, que reuniu representantes de ministérios, sociedade civil e organismos internacionais para discutir sistemas alimentares urbanos mais inclusivos, sustentáveis e resilientes. O encontro contou com painéis técnicos e institucionais, mapeamento de políticas públicas e construção de recomendações para fortalecer a agroecologia e a produção local.
O Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) participou com Gisleide Carneiro, reforçando a conexão entre o Projeto Semeando o Bem Viver e a agenda nacional de segurança alimentar sustentável. O diálogo entre atores públicos, sociedade civil e iniciativas comunitárias destaca a importância de integrar políticas públicas às realidades locais para resultados efetivos.
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Projeto integra agricultura familiar, economia solidária e protagonismo feminino em desenvolvimento territorial
As ações do Projeto Semeando o Bem Viver demonstram uma abordagem integrada, que articula agricultura familiar, economia solidária, protagonismo feminino e segurança alimentar como elementos complementares do desenvolvimento territorial. Essa integração fica clara no intercâmbio em Sergipe, na participação das agricultoras na Feira Março Mulher e no debate sobre sistemas alimentares sustentáveis.
O projeto valoriza o conhecimento local como ferramenta de desenvolvimento, indo além da simples transferência de informações para incorporar a escuta e o reconhecimento da experiência acumulada pelas comunidades. Essa perspectiva fortalece redes sociais e produtivas, amplia o repertório dos participantes e contribui para que agricultores familiares adaptem soluções testadas a suas realidades.
Ao aproximar formulação institucional e experiência comunitária, o projeto cria condições para ampliar renda, fortalecer vínculos sociais e gerar impactos concretos na produção, emprego e consumo nos territórios da Bahia e Sergipe, traduzindo indicadores econômicos em benefícios palpáveis para a população local.

