Revelações dos Áudios e Investigação em Curso
Áudios divulgados nas redes sociais nesta sexta-feira (30) indicam que o Sindicato dos Rodoviários teria orientado a colagem de adesivos do PT em ônibus que circularam em Salvador durante o segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25). O conteúdo aponta que a ação foi restrita a parte da frota, em razão da quantidade limitada de material, e sugere que essa prática motivou a retenção dos coletivos nas garagens, sob a justificativa de crime eleitoral.
Esses episódios, que também envolvem a redução do serviço de transporte público — considerada uma contravenção — estão sob investigação. Nos áudios, atribuídos ao presidente interino do sindicato, Fábio Primo, são passadas instruções para que os adesivos fossem aplicados exclusivamente nos ônibus que sairiam para as ruas, dada a escassez do material.
“Não tem material suficiente para todos os carros, então, quando chegar, temos que pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair, até porque eles não colocam 100% da frota”, diz a voz nas gravações.
Posicionamento do Sindicato e Andamento do Processo
O Sindicato dos Rodoviários, por meio de nota oficial, rejeitou a distorção dos fatos para atribuir à entidade a responsabilidade pela retenção dos ônibus. A organização afirmou que não aceita acusações infundadas nem tentativas de deslegitimar sua atuação, ressaltando que os fatos devem ser esclarecidos com seriedade, transparência e responsabilidade, sem manipulações ou culpas equivocadas.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) encaminhou uma queixa-crime ao Ministério Público Federal (MPF), que incluiu os áudios como elementos do processo. Até o momento, não há uma conclusão definitiva sobre o caso.
Leia também: Protesto em Salvador destaca redução da frota de ônibus nas eleições
Leia também: Secretário de Transporte de Salvador é alvo de mandado de prisão após suspensão de ônibus
Ação Legislativa e Pedido de Investigação na Câmara Municipal
Na terça-feira (27), vereadores de Salvador protocolaram um pedido para instaurar uma investigação formal na Câmara Municipal, com foco na redução da frota de ônibus durante o segundo turno. Durante reunião fechada, a proposta foi apresentada ao presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB), com o objetivo de apurar responsabilidades caso seja identificado erro ou irregularidade.
Até a última atualização, a oposição havia reunido 10 das 14 assinaturas necessárias para abrir uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). A Câmara de Salvador conta com 43 vereadores no total.
Relatório do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia
Também na terça-feira, a TV Bahia teve acesso ao relatório do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) referente às inspeções nas garagens das empresas de ônibus. Em todas as três instalações vistoriadas — BRT na Avenida Barros Reis, Integra Verde G2 no bairro de Santa Mônica e Ottrans G1 em Campinas de Pirajá — foram constatados veículos estacionados e frota reduzida em circulação, inferior à frequência habitual durante a semana.
Os supervisores e operadores de tráfego presentes confirmaram a menor operação de ônibus. Vídeos anexados ao processo mostram dezenas de coletivos parados. A fiscalização do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) identificou mais de 950 ônibus fora de circulação durante o período.
Defesa da Prefeitura e Secretaria de Mobilidade
Em entrevista à TV Bahia, o secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, explicou que a prefeitura aplicou a mesma estratégia de transporte nos dois turnos eleitorais. Segundo ele, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determina que 100% da frota de ônibus esteja disponível durante eleições em nenhuma cidade do país.
Leia também: Ônibus terão operação especial em Salvador e paralisação na RMS durante jogo do Brasil na Copa
Leia também: Greve dos Rodoviários no Rio: 30 Ônibus Vandalizados e Caos na Mobilidade
Fonte: agazetadorio.com.br
O secretário informou que a frota total é de 1,7 mil veículos, dos quais 850 operaram tanto no primeiro quanto no segundo turno, representando 50% da frota. Ele destacou que a única diferença na operação do segundo turno foi a colagem dos adesivos eleitorais nos ônibus.
Por outro lado, a resolução nº 23.751 do TSE, datada de fevereiro de 2026, determina que o poder público assegure oferta gratuita de transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, incluindo metropolitano, com frequência similar à dos dias úteis durante as votações. Além disso, texto divulgado pela Semob indicava que a operação do segundo turno contaria com 100% da frota usada em dias úteis, sem a redução típica dos domingos.
O Sindicato dos Rodoviários complementou que, aos fins de semana, a frota é reduzida para até 50%, devido a folgas dos funcionários, e que a operação no dia do segundo turno seguiu o padrão de domingo comum.
Próximos Passos e Desdobramentos
O caso prossegue sob análise das autoridades competentes, entre elas o MPF e o TRE-BA. A investigação busca esclarecer se houve irregularidades administrativas ou eleitorais na operação do transporte público durante o segundo turno das eleições em Salvador, além de responsabilizar os envolvidos. A abertura da Comissão Especial de Inquérito na Câmara Municipal representa um passo institucional para aprofundar a apuração e garantir transparência no processo.

