Operação da frota de ônibus em Salvador durante o segundo turno
O secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, afirmou em entrevista à TV Bahia nesta terça-feira (27) que a prefeitura manteve a mesma estratégia de transporte aplicada no primeiro turno das eleições, negando que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha determinado o uso integral da frota de ônibus em alguma cidade do país. A declaração ocorreu em meio à polêmica causada pela escassez de ônibus na capital baiana durante o domingo (25), dia do segundo turno.
Segundo Pablo Souza, a frota total de Salvador é composta por 1,7 mil veículos, dos quais 850 circularam durante ambos os turnos, representando 50% da capacidade. Ele ressaltou que essa é a prática adotada pela prefeitura há mais de uma década em dias de votação e que nunca houve operação com 100% da frota nas ruas.
Normativas do TSE e operação anunciada pela prefeitura
Por outro lado, a resolução nº 23.751 do TSE, publicada em fevereiro de 2026, determina que o poder público deve garantir transporte coletivo urbano e intermunicipal gratuito nos dias de votação, com frequência compatível aos dias úteis, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (ADPF nº 1.013/DF). Paralelamente, a Secretaria de Mobilidade de Salvador divulgou em seu site que a operação para o segundo turno usaria “100% da frota utilizada em dias úteis, sem a redução habitual de veículos aos domingos”.
O Sindicato dos Rodoviários de Salvador confirmou a redução da frota para até 50% nos fins de semana por conta das folgas dos funcionários, reforçando que a operação do segundo turno reproduziu o esquema de um domingo comum.
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Impacto dos adesivos eleitorais e resposta da prefeitura
Uma diferença apontada pelo secretário entre os dois turnos foi a colagem de adesivos com propaganda eleitoral nos ônibus, especificamente com o número 13, ligado à campanha de Lula (PT), o que é proibido pelo TSE. Imagens mostraram que os adesivos estavam nos coletivos que permaneciam nas garagens, o que impediu a saída de pelo menos 75 ônibus na manhã de domingo, conforme confirmado pela prefeitura.
Pablo Souza relatou que a secretaria agiu rapidamente para regularizar a operação assim que identificou que a remoção dos adesivos estava afetando o fluxo dos transportes. As equipes de limpeza das empresas de ônibus realizaram a retirada dos adesivos, evitando a participação dos motoristas, mas o secretário não detalhou o tempo exato para a normalização da frota.
À tarde, o serviço já estava restabelecido, embora vídeos tenham registrado moradores organizando caronas solidárias para ajudar os eleitores que enfrentaram dificuldades para chegar aos locais de votação devido à falta de ônibus.
Levantamentos sobre a frota parada e fiscalização da Polícia Federal
Dois levantamentos sobre a frota parada foram divulgados durante o domingo. Uma fiscalização da Polícia Federal (PF) em uma garagem da cidade constatou uma redução de 42,1% na frota, com 53 veículos a menos nas ruas em comparação a um dia comum. Já o Procon identificou 944 ônibus parados nas garagens da OT Trans e da Integra Plataforma.
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Secretário em missão internacional e coordenação da operação
Na data do segundo turno, Pablo Souza estava em viagem de trabalho em Paris, França. Mesmo assim, afirmou ter atuado diretamente na programação e coordenação da operação, mantendo contato constante com empresários, direção da secretaria de mobilidade e o sindicato dos rodoviários.
Ele enfatizou a atuação firme para garantir a circulação dos ônibus, apesar das divergências e dificuldades enfrentadas.
Pedido de prisão e investigação da Polícia Federal
Durante a falta de ônibus no domingo, o TSE chegou a solicitar a prisão em flagrante do secretário. Como ele estava fora do país, não foi detido. No dia seguinte, o órgão revogou a ordem de prisão argumentando que a medida perdeu sua finalidade imediata após o encerramento da votação.
Essa revogação não significa reconhecimento da inocência ou ausência de crime. A Justiça determinou que a Polícia Federal investigue o ocorrido e concedeu 48 horas para que a prefeitura envie documentos relacionados ao caso. O secretário confirmou que a documentação será encaminhada dentro do prazo estabelecido.

