Redução da frota de ônibus mobiliza protesto em Salvador
Na tarde de segunda-feira (26), um grupo se reuniu em frente à sede da prefeitura de salvador, no Centro Histórico, para manifestar contra a redução da frota de ônibus ocorrida no domingo (25), durante o segundo turno das eleições municipais de 2026. O protesto teve como foco o prefeito Bruno Reis (União Brasil), cujo rosto foi afixado em um boneco que foi incendiado durante o ato.
Apesar da movimentação ter ocorrido de forma pacífica inicialmente, a queima do boneco gerou repercussão. Vídeos registrados no local mostram o momento em que o objeto começou a pegar fogo no chão, enquanto manifestantes gritavam palavras de ordem.
Prefeitura reage com suspensão do expediente e acusa vandalismo
A Prefeitura de Salvador divulgou uma nota afirmando que alguns manifestantes tentaram invadir o prédio da gestão. Houve registros de pichações e danos ao patrimônio público, incluindo a pintura da porta de vidro da sede com tinta spray, conforme vídeos internos mostram. Por questões de segurança, as portas foram fechadas e o expediente suspenso após o protesto.
Leia também: Prefeitura de Salvador é Acusada de Reter Ônibus Durante Eleições e Enfrenta Denúncias
Leia também: Salvador: Procon registra 544 ônibus parados em garagens e TRE-BA determina retomada da frota
Polícia Federal investiga redução da frota no dia da eleição
Em meio à repercussão, a Polícia Federal (PF) passou a investigar a diminuição de mais de 50% da frota de ônibus no domingo. A Justiça determinou que a gestão municipal, a Secretaria de Mobilidade e as empresas que operam o transporte público em Salvador apresentem documentos relacionados à operação dos coletivos no dia da votação, com prazo de 48 horas para o fornecimento.
Imagens captadas por drones mostraram veículos parados nas garagens durante o dia da eleição, o que motivou o início da apuração. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a solicitar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris e, portanto, não foi detido. A prisão foi revogada no dia seguinte, mas o caso segue sob investigação para esclarecer se houve intenção de dificultar o voto, ato que pode configurar crime eleitoral.
Manifestação dos rodoviários e impacto na circulação
A Prefeitura atribuiu a redução da frota a uma manifestação de integrantes do Sindicato dos Rodoviários. Durante a paralisação, foram identificados adesivos com o número da campanha do candidato Lula colados em ônibus, prática proibida. Na manhã do domingo, pelo menos 75 veículos foram impedidos de sair das garagens, número que não foi atualizado posteriormente, mas que indica a dimensão do impacto.
Leia também: Secretário de Transporte de Salvador é alvo de mandado de prisão após suspensão de ônibus
Leia também: Salvador reforça frota de ônibus com 330 veículos climatizados após acordo entre MP-BA e Prefeitura
Fiscalizações da Polícia Federal apontaram redução de 42,1% na frota, com 53 ônibus a menos em circulação comparado a dias normais, enquanto o Procon constatou 944 ônibus parados nas garagens das empresas OT Trans e Integra Plataforma.
Medidas da gestão municipal e resposta da população
Ao perceber o atraso causado pela retirada dos adesivos, o prefeito Bruno Reis determinou a liberação da frota. Contudo, relatos indicam que a circulação de ônibus permaneceu baixa durante a tarde na capital baiana. Em resposta à dificuldade de locomoção, moradores organizaram caronas solidárias em diversos pontos da cidade, compartilhando os momentos nas redes sociais.
O cenário revela tensões entre as decisões administrativas, a mobilização sindical e as consequências para a população durante um momento eleitoral crucial. A investigação da PF e o desenrolar político nos próximos dias serão determinantes para esclarecer responsabilidades e definir as medidas legais cabíveis.

